quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Algumas lembranças natalinas III


Nas minhas casas da infância sempre tivemos árvore de natal, mas nem sempre presépios. Talvez por isso eu tenha me deslumbrado com o imenso presépio da casa da Alexandra. A primeira vez que o vi foi no apartamento térreo da rua Sabará. Ele ocupava toda a extensão de um longo aparador estilo Luís XV que tinha sido da avó da Alexandra, minha amiga desde sempre. Parece que o início do presépio também seguia essa genealogia... algum lugar no interior do Rio, onde o avô era médico, quando a dona Zenith, mãe da Alexandra, era ainda uma menina feliz.
Voltemos ao presépio que era um deslumbre: tinha manjedoura, tinha reis magos, tinha pastores, árvores, camelos, elefantes, zebras, coqueiros, um lago feito de espelho com inúmeros patinhos nadando, flores e plantas ao redor e o personagem principal, gente desculpa, não era o menino Jesus, que só apareceria no dia 25 mesmo. O personagem principal era um p.o.r.q.u.i.n.h.o. Sim, mas não era qualquer leitão sem graça. O porquinho róseo era uma simpatia, um amor, uma coisa rica. O melhor porquinho de presépio de todos os tempos. Daí que a Carmem, amiga da casa, avisou sem cerimônia: eu vou roubar o porquinho... Deste dia em diante sempre havia alguém vigiando, cada um de nós virou sentinela de porquinho de presépio ameaçado, jurado de sequestro. Isso foi há muitos anos atrás, nunca soube se a Carmem levou a termo essa "presepada". Eu sei que o presépio ainda está lá e vai continuar mesmo depois de nós, guardando para si a multidão de admiradores que sempre existirá, com ou sem porquinho. Aliás, ele não está só lá, está também comigo, na melhor memória daqueles tempos.

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