domingo, 7 de dezembro de 2014


Mensagem de fim de ano

Olha aí um novo natal. Mais um. Menos um. Queria mesmo é lembrar das coisas que não posso esquecer. As árvores de natal da minha infância, feitas a muitas mãos como uma obra de arte interativa. O cheiro de boneca nova. A bola nova do Sergio que eu tinha de chutar para ele ser o goleiro. O sangue do diabo do estojo de química do Carlos. Os pedidos sempre descolados da Cristina, como foi aquele relógio de pulso feito de acrílico laranja. São tantos os pedacinhos deste mosaico natalino, pequenos gestos, coisas de família. O suco de vinho. As rabanadas. O tio Antenor lavando  louça na Heitor Carrilho, cantando um velho sucesso da Aracy de Almeida.
O pacote de presente embaixo da árvore que cada um ficava imaginando o que seria. E o que será, agora? O que será do Natal?
E olha eu aqui montando uma árvore enquanto o Dedé "ajeita" o meu presépio. E olha aí eu pensando num presente para a sobrinhada. Cada um como uma pequena parcela do cartão de natal que guardo comigo na memória, esta memória que não está pronta, que não é definitiva e que vai se recompondo a cada natal, fixando o tecido único que é a vida que formamos estando juntos, se juntos estivermos. As cenas. Os risos. O cheiro bom da comida. 



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