segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Mensagem Natalina II


Eu me lembro de um Natal em Rio Preto quando eu era bem pequena. Vejo meu avô quebrando muitas castanhas naquela copa antiga da casa que era grande como um mundo a ser descoberto. Escuto, por detrás da densa névoa que tenta encobrir a memória, como uma chuva, a voz da minha mãe explicando para alguém: -A Sheila gosta de avelãs. A Sheila sou eu.
Depois de tantos anos, ainda hoje, nada nunca me fez procurar avelãs mais do que nozes ou castanhas, mas sendo alguém que prefere avelãs eu me tornei gente. E gente que tem preferências, é sabido. E sendo alguém eu aprendi que a gente se descobre pelo olhar do outro. Muito do que eu aprendi sobre mim veio de considerações de quem estava próximo de mim. Também em Rio Preto, em umas férias, quando eu tinha já dez anos, durante um lanche na casa da dona Clara, falei com meus primos sobre uns livros que tinha lido. Minha tia (agora sogra) disse para todos: gostaram da aula de literatura? E assim me fiz e assim me tornei. Professora de literatura, e que prefere avelãs.

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