quinta-feira, 31 de dezembro de 2015






 último dia do ano
quando desce o pano
estreia novo espetáculo






último dia do ano
é só um dia lento
de cosmogonia em andamento

domingo, 29 de novembro de 2015

IVAN




                


Este é o Ivan. O fofo da mamãe; o recheio do biscoito; o Yanser gamer; o irmão da Amanda; o irmão do Dedé; o primo do Caio; a alegria da gente; o crítico de jogos; o melhor cantor da família; o planejado; o fotogênico; o insubordinado; o educado; o inteligente; o que entende inglês; o que aprendeu a assobiar; o que gosta de canela; o que acha o churrasco do pai o melhor do universo... são tantas facetas que não cabem num único papel.


                


      


               

      














Arco-Íris
Fátima Guedes
 

Fadas e gnomos
Todos os duendes de todas as matas
Todas as pedreiras, fios d'água, cachoeiras,
As outras cores do íris
São segredo nosso
Quisera falar das coisas que não posso
Do que faz do ar, a brisa, e a brisa de vento
E o vento de ventania
Essa magia
Essa força que comanda cada elemento
É a poesia
De se recriar e escolher o momento
De ser uma rosa
E de ser o elfo que mora na rosa
Ter um brilho intenso
Como o sol e como o ouro no final do arco-íris

sábado, 28 de novembro de 2015

"É minha ideia
que o o outono só desfolha
árvore europeia"

                                              Millôr Fernandes

Diálogo

Millôr, olha!
A seringueira no outono
também desfolha...

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sábado, 14 de novembro de 2015

“Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia.”

quarta-feira, 11 de novembro de 2015


           QUE FUI QUE SOU

Fui alfabetizada numa escola Batista porque era uma boa escola e próxima de casa. Assim que éramos alfabetizados (nós, os quatro filhos de um pai ateu e de uma mãe não praticante de suas crenças) passávamos para a escola pública. Depois do CA (classe de alfabetização) fui então para a Escola Municipal 123 Tiradentes. Em meu histórico escolar consta que eu fui matriculada no segundo ano do primário mediante teste de escolaridade. A verdade é que naquele ano não tinha mais vaga na primeira série. Como sabia ler e escrever não senti dificuldades com as aulas. Senti dificuldades foi com os banheiros sujos, muito diferente de minha escola anterior. Fiz todos os 3 anos do primário nesta escola, integrando o pelotão da bandeira (honra quase militar para os alunos que se destacavam). Nesta época, o retrato do Presidente Figueiredo sorria para nós da parede.Assim que concluí esta fase, fui para outra escola, no bairro para o qual mudáramos. Na escola Francisco Campos (também pública)permaneci durante todos os anos do ginásio (quinta a oitava). Era uma escola modelo e quem não estivesse devidamente uniformizado, com sapato preto fechado, meias brancas até o joelho, saias plissadas e camisa da escola não entrava de jeito nenhum. Lá eu recebi uma série considerável de advertências e suspensões, minha caderneta parecia assassinada de tanta anotação em vermelho. Lá eu comecei a descobrir quem eu era. O ensino médio tinha de ser na escola particular (para a gente conseguir entrar na faculdade). Meu pai me disse: arruma a escola, faz a matrícula e traz o boleto para pagar. Escolhi a escola usando a lista telefônica. Nessa época meu irmão Sérgio estudava no Liceu de Artes e Ofícios, escola técnica, que não servia aos meus propósitos. Fui então para o MV1, primeiro no Colégio Anderson e depois no terceirão da Rua Pareto.Aí foi muito estranho fazer parte de um mundo de patricinhas e de gente esnobe. Sobrevivi. Minhas amizades da época, não.Estudando no MV1 foi fácil entrar na faculdade, mesmo sendo o vestibular da UFRJ 100% discursivo. Então meu mundo cresceu. 

sábado, 26 de setembro de 2015

INTOLERÂNCIA

Como repudiar a intolerância tão deslavada de nosso tempo sem ser também intolerante?
O que fazer efetivamente diante de conhecidos, amigos, parentes, colegas de trabalho que querem matar, prender, esquartejar e agredir tanto verbalmente quanto fisicamente a "petezada" que ainda está no poder?
Eu me pergunto, nessa hora, quem é o próximo? (em sentido religioso)
Pergunto para todos esses inconformados, que se transformaram em poços de ódio e que na maioria das vezes se dizem cristãos, como devemos fazer para sermos perdoados? além disso, pergunto, para onde o ódio nos levará?
Uma máxima cristã afirma que a rebeldia é filha da preguiça. Será? em alguns casos penso que sim.
Pergunto também, claro, se o poder corrompe e como eu agiria diante de um status quo corrupto. Quando me incluo, torno-me menos perversa. Ativo em mim o que posso ter de melhor, aquilo a que chamamos de humano.
Não quero apenas ser tolerante com o erro ou com a ganância. Não quero também compactuar com o erro. Nem quero mais ter simpatias partidárias, apenas quero continuar tentando fazer a coisa certa, mesmo que eu erre.
Diante deste processo triste de ódio que se instalou a nossa volta, quero ter alguma elegância para lidar com o próximo, ainda que ele esteja errado, ainda que  me cause decepção ou raiva.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

POEMATERNO

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Não tenho filhos
mas trago em mim
o ventre de todas as grávidas
a gravidade do ventre pleno
cheirando a amêndoas doces

Não tenho filhos
mas ter sonhos é como se fosse mãe
Parir um verso
inverso da morte
abraçar Poema
minha filha mais bonita
Alma gravidez mais plena

Poema rindo
minha criação pequena
Nascida de dentro 
Processo de Parto

Meu gesto mais doce
Meu mais puro ato
Meu corte no corpo
Meu momento e meu fato.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

                                                             Arqueologias

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Eu nasci, como pessoa, na década de 80. Antes disso, no entanto, eu já existia, mas não sabia exatamente quem eu era ou de que gostava e o que me definia ou me representava.  Eu nasci então, com o rock brasileiro, com o "você não soube me amar" da Blitz, com a anistia, com  Toada e Clareana tocando no rádio. Eu nasci com as cores vibrantes da década de 80, os cabelos selvagens, a Lagoa azul. Quando eu nasci um anjo todo fosforescente de maquiagem brilhante falou para mim, "_Guenta, Sheila, tudo passa, até o Menudo." Fui vivendo, envelhecendo e, aos poucos, sabendo mais sobre mim. Dos 70 sei quase nada: Estúpido Cupido, Jules Rimet...  sei que é nos 80, enfim, que estão minhas raízes, ou cacos de um passado perdido.

sábado, 22 de agosto de 2015


Só para eu não esquecer de lembrar...

                MEMÓRIA





Meu pai ia espalhando pela casa
as televisões que consertava
e estavam em teste.
Nós, os telespectadores, informávamos
 se, durante a sua ausência, alguma tivera recaída.

Neste exercício diário de ver o torto
o vertical solto
o sem voz
o desfocado e o fantasma
me cresceu por dentro
a tolerância
e o respeito ao desvão.

Além disso,
a prática
do relato sobre o defeito
fez haver em mim
alguma habilidade em lidar 
com o inenarrável
próprio da poesia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015



O QUE EU DESCOBRI SOBRE MIM INDA AGORINHA

Nestes muitos anos de convívio forçado comigo mesma, aprendi algumas coisas: eu não curto estampa de coqueirinhos nem manga morcego. Não encaro Sarrabulho nem Sarapatel. Não gosto de discutir sobre preço de bolsas nem sobre o de carros. Acho um saco encontro só de mulheres bem como devem ser aqueles estritamente masculinos. Gosto de cabelo despenteado. Tenho certeza que encontrarei melhores soluções num trabalho de alguém que diz que está uma droga do que naqueles que o redator afirma de antemão que está perfeito. Ah... eu gosto das cores de terra e de pistache. Gosto de chuva (quem não gosta, nessa secura?). Troco qualquer coisa por frutos do mar. Leio por necessidade de diálogo. Amo lichia, fruta de conde e caqui. O que ainda posso dizer sobre mim mesma neste exato momento é que a perda inexorável da minha capacidade reprodutiva vem me trazendo um corte profundo na alma. Perder não o filho que ainda quero ter, mas a capacidade de gerar. A sensação que engendra. O amor. Ultimamente não posso ver uma vitrine de roupas de bebê sem suspirar. Viver o fim cem vezes. O poente. A periferia. Quem entende isso? Ultimamente eu tenho sentido essa solidão povoada de personagens russos que passeiam por dentro de mim como nas estepes, nas tempestades de neve, agarrando-se ao capote recém comprado. Irinas, Yuris, Dimitris, Natashas, Nicolais. Todos aqui. São eu. Vão comigo. Para onde? shei lá. Continuo. Estendo-me. Abro cortes profundos nas seringueiras e vou descobrindo seivas, searas. Eu quero viver as relações sem ter de discuti-las. Não. É mentira. Eu quero discutir as relações para vivê-las. E para não dizer que eu não falei de flores, os lírios, principalmente eles. Amarylis. Lisiantos. Violetas. Tantas alegrias repartidas comigo, teluricamente. Meu pequeno canteiro de ervas, onde me faço eva, me reinvento ao contrário do asfalto que sempre habitei. Aqui. Meu Andrei Meu Ivan Minha Amanda. Três terços da plenitude improvável. E o vazio preenchido das lembranças. Eu sou minhas perdas. E ganhos. Sinto falta dos meus alunos e do batalhão de almas com o qual eu aprendi a dividir-me. A doar-me. A conversa ininterrupta sobre os desvãos e saltos do literário. Nesta procura pela vida, inda agorinha descobri-me. Eu sou alguém que anda passando tão rápido por mim! Nem dá tempo para uma conversa de comadres. Os cabelos brancos. O estudo da confissão. E esta, agora, que deitei aos teus/meus olhos para me dizer de mim. Sou essa. Sou assim. Enquanto vivo a duração deste segundo que já termina. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

OBLÍVIO

apagamento desmemória esquecimento
história que me acerca ao reverso
verso escrito no escuro:
futuro

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"[...]
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita."

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(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 13 de junho de 2015




Subterrâneo
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Desteci meu tapete de silêncios,
Retalho empoeirado das secas de setembro,
mas germinado de fios
à medida da Primavera.

Desfeito, afinal, em novelo,
círculo sereno de fios de carneiro
Em dia de chuva, lancei-o
à cata de labirintos.

Entre vias tortuosas descansavas
à mercê das linhas lançadas
Rubro Minotauro, entre meus vários,
Antropofágicos itinerários.




Finissecular

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quando o dia finda
seu olhar de agosto
faz sombra no meu rosto





Alba
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Às vezes
quando o sol se levanta mais  cedo
 e eu percebo
o descortinar das manhãs entre pássaros,
quando os girassóis
tristes e desabados
erguem-se para o sol,
começo a abrir meus olhos
e, de repente, a imensidão
vai amanhecendo em mim suas lanças.

Nestas horas, minhas saudades
são só lembranças.

sábado, 6 de junho de 2015


                                                                     LABIRINTO
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Teseu não sou eu
Ariadne me invade
A linha se aninha
na minha porção minotauro
                                                                            
               

Do avesso

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Seguir
Um mapa no chão
Sem explicação.

Aonde vai dar?
Não sei dizer,
Pois é mapa para se perder...

São marcas de um tesouro,
Ou quase nada?


Pó, flores, estrada.
O seu olhar
Em branco e preto
Me deixa muda
Feito um filme antigo


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sexta-feira, 15 de maio de 2015

domingo, 3 de maio de 2015

sábado, 2 de maio de 2015

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entramada no meu enredo
esqueço 
o final da história
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errado viver à espera da retidão
eu vivo
pelo sofrido
pelo desvão
pelo desconforto enraizado
pelo perdido
 pelo apertado
pelos galhos retorcidos 
do cerrado
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No canteiro da cidade
a falsa flor-de-lótus
enfrenta a adversidade
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Cerrado: 

neste momento exato
nem um suspiro de vento
levanta as folhas do mato



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efêmero:
o que não é eterno
mas que perdura 
no instante mesmo 
em que se desfaz.
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"Eu vivo no meu relento."
      Manoel de Barros