quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015



VOCAÇÃO
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Quando disse para o meu pai que faria vestibular para Letras, ele me falou:
 "-Você só dá para isso mesmo."
Não era um palpite, sempre acreditei no meu pai.

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Meu pai sempre quis que eu estudasse Engenharia Química. Não foi com convicção que ele aceitou minha escolha. Foi  por falta de opção. 

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A vida conspira para que tudo esteja em seu lugar. 
Uma das noras, tempos depois, virou engenheira química.

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Segui meu curso.
Nadando a favor da corrente, estou aqui.

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Quando comecei a fazer Letras, um dos meus irmãos externou suas preocupações: "Coitada da Sheila, vamos ter de emprestar dinheiro para ela a vida inteira". Meu irmão não estava de todo errado, nem de todo certo. Graças a Deus, sempre foi possível, para nós irmãos, cuidarmos uns dos outros.

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Descobri que faria Letras na primeira aula de Literatura do Ensino Médio. Colégio Anderson. Rede MV1. Professora Nely. Rio de Janeiro. Afinal eu encontrara uma aula que dizia coisas com as quais eu poderia dialogar.

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A literatura, portanto, veio bem antes.

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Quando eu tinha cinco anos, minha mãe prometeu me dar o anel que eu julgava ser o mais lindo da sua caixinha de jóias, de minúsculas flores laranja, que ficava na parte de cima do guarda-roupa.
Em contrapartida eu precisaria decorar um soneto. Coisa difícil.

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Sei o poema  até hoje, nunca ganhei o anel.

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A vida, no entanto, está sempre certa. 
Fiz Letras. Ganhei anel de formatura. Dou aula de poesia.


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 Alguns anos depois, num momento ímpar,  perdi um outro anel da minha mãe. Não foi de propósito, mas isso já é outra história...



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