sábado, 26 de setembro de 2015

INTOLERÂNCIA

Como repudiar a intolerância tão deslavada de nosso tempo sem ser também intolerante?
O que fazer efetivamente diante de conhecidos, amigos, parentes, colegas de trabalho que querem matar, prender, esquartejar e agredir tanto verbalmente quanto fisicamente a "petezada" que ainda está no poder?
Eu me pergunto, nessa hora, quem é o próximo? (em sentido religioso)
Pergunto para todos esses inconformados, que se transformaram em poços de ódio e que na maioria das vezes se dizem cristãos, como devemos fazer para sermos perdoados? além disso, pergunto, para onde o ódio nos levará?
Uma máxima cristã afirma que a rebeldia é filha da preguiça. Será? em alguns casos penso que sim.
Pergunto também, claro, se o poder corrompe e como eu agiria diante de um status quo corrupto. Quando me incluo, torno-me menos perversa. Ativo em mim o que posso ter de melhor, aquilo a que chamamos de humano.
Não quero apenas ser tolerante com o erro ou com a ganância. Não quero também compactuar com o erro. Nem quero mais ter simpatias partidárias, apenas quero continuar tentando fazer a coisa certa, mesmo que eu erre.
Diante deste processo triste de ódio que se instalou a nossa volta, quero ter alguma elegância para lidar com o próximo, ainda que ele esteja errado, ainda que  me cause decepção ou raiva.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

POEMATERNO

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Não tenho filhos
mas trago em mim
o ventre de todas as grávidas
a gravidade do ventre pleno
cheirando a amêndoas doces

Não tenho filhos
mas ter sonhos é como se fosse mãe
Parir um verso
inverso da morte
abraçar Poema
minha filha mais bonita
Alma gravidez mais plena

Poema rindo
minha criação pequena
Nascida de dentro 
Processo de Parto

Meu gesto mais doce
Meu mais puro ato
Meu corte no corpo
Meu momento e meu fato.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

                                                             Arqueologias

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Eu nasci, como pessoa, na década de 80. Antes disso, no entanto, eu já existia, mas não sabia exatamente quem eu era ou de que gostava e o que me definia ou me representava.  Eu nasci então, com o rock brasileiro, com o "você não soube me amar" da Blitz, com a anistia, com  Toada e Clareana tocando no rádio. Eu nasci com as cores vibrantes da década de 80, os cabelos selvagens, a Lagoa azul. Quando eu nasci um anjo todo fosforescente de maquiagem brilhante falou para mim, "_Guenta, Sheila, tudo passa, até o Menudo." Fui vivendo, envelhecendo e, aos poucos, sabendo mais sobre mim. Dos 70 sei quase nada: Estúpido Cupido, Jules Rimet...  sei que é nos 80, enfim, que estão minhas raízes, ou cacos de um passado perdido.