quarta-feira, 11 de novembro de 2015


           QUE FUI QUE SOU

Fui alfabetizada numa escola Batista porque era uma boa escola e próxima de casa. Assim que éramos alfabetizados (nós, os quatro filhos de um pai ateu e de uma mãe não praticante de suas crenças) passávamos para a escola pública. Depois do CA (classe de alfabetização) fui então para a Escola Municipal 123 Tiradentes. Em meu histórico escolar consta que eu fui matriculada no segundo ano do primário mediante teste de escolaridade. A verdade é que naquele ano não tinha mais vaga na primeira série. Como sabia ler e escrever não senti dificuldades com as aulas. Senti dificuldades foi com os banheiros sujos, muito diferente de minha escola anterior. Fiz todos os 3 anos do primário nesta escola, integrando o pelotão da bandeira (honra quase militar para os alunos que se destacavam). Nesta época, o retrato do Presidente Figueiredo sorria para nós da parede.Assim que concluí esta fase, fui para outra escola, no bairro para o qual mudáramos. Na escola Francisco Campos (também pública)permaneci durante todos os anos do ginásio (quinta a oitava). Era uma escola modelo e quem não estivesse devidamente uniformizado, com sapato preto fechado, meias brancas até o joelho, saias plissadas e camisa da escola não entrava de jeito nenhum. Lá eu recebi uma série considerável de advertências e suspensões, minha caderneta parecia assassinada de tanta anotação em vermelho. Lá eu comecei a descobrir quem eu era. O ensino médio tinha de ser na escola particular (para a gente conseguir entrar na faculdade). Meu pai me disse: arruma a escola, faz a matrícula e traz o boleto para pagar. Escolhi a escola usando a lista telefônica. Nessa época meu irmão Sérgio estudava no Liceu de Artes e Ofícios, escola técnica, que não servia aos meus propósitos. Fui então para o MV1, primeiro no Colégio Anderson e depois no terceirão da Rua Pareto.Aí foi muito estranho fazer parte de um mundo de patricinhas e de gente esnobe. Sobrevivi. Minhas amizades da época, não.Estudando no MV1 foi fácil entrar na faculdade, mesmo sendo o vestibular da UFRJ 100% discursivo. Então meu mundo cresceu. 

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