sábado, 18 de junho de 2016

Como ser melhor do que sou
sendo eu
sendo senda
fenda
fenestra
açude?

Como ser melhor do que pude
nestes anos
largos
vagos
perdidos?

Como ser sem ter sido
exata
perpétua
sincera
correta?

Como ser eu sendo certa
sendo outra
sendo colcha
de retalhos de seda
duma fineza
que não se organiza?

Como ser
ainda agora
essa seta que não avança
esse labirinto
esse vão
que vai se abrindo
a medida
que se perde?

Como ainda que seja eu
acorrentado prometeu
vivendo um suplício
homérico
titânico
primevo
ancestral,
posso, ainda,
sem alarde,
aceitar ser parte deste todo
que me repele?