quarta-feira, 19 de abril de 2017

Genealogias II

Dizem por aí que toda mulher tem sua versão do sapatinho de cristal. A minha, são esses tamanquinhos de couro que estão na vitrine de um museu em Rio Novo/MG. Explico: foram produzidos na fábrica de Francisco Maciel, meu avô. Nunca conheci meu avô, mas quando leio o recorte de jornal, sinto que activo, laborioso e intelligente são uma espécie de lastro genético herdado pelo meu pai. Na sequência, é minha irmã Cristina quem herdou esses adjetivos, porque é capaz de pensar e produzir, fabricar as coisas mais inusitadas. Meu avô morreu quando meu pai ainda era criança. Olhando o retrato dos dois, percebemos que são muito parecidos. Penso que depois de tantos anos, talvez eles tenham se reencontrado por aí, em outros planos que nem sei. Espero que tenha sido um encontro bom, já que, me parece, ambos não eram dados a afetos desnecessários porque a vida não é para perfumarias, mas para aprender sempre e fazer o que é vital. Foi isso que meu pai me explicou pelos seus atos enquanto eu tecia, inapta para fabricar inventos concretos, devaneios e poemas.


Exibindo Tamancos fab vo francisco-045F.JPG

Exibindo Tamancos fab vo francisco-047F.JPGExibindo Nota jornal sobre vo Francisco-054F.JPG

quarta-feira, 5 de abril de 2017

 MOTIVOS PARA CRUZAR OS BRAÇOS 
DIA 28 DE ABRIL 
Resultado de imagem para 28 de abril vamos parar o brasil

O governo Temer pretende acabar com direitos históricos da classe trabalhadora, que hoje são Lei, garantidos na CLT.

 Férias e jornada ameaçadas - Estão ameaçadas as férias de 30 dias, a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 semanais, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que poderá ser parcelada em quantas vezes quiserem os patrões e podem diminuir até o horário de refeição.

Trabalho temporário – O trabalho ficará ainda mais desregulamentado. O contrato de trabalho temporário passará a ter vigência de 4 meses e poderá ser prorrogado por igual período. O governo quer que a gente morra de trabalhar sem se aposentar.

O governo diz que a Previdência é deficitária, mas é mentira! Ele manipula os cálculos! Só em 2015 teve um superávit de, acredite, R$ 11,2 bilhões de reais.

Aumenta idade mínima - Com a reforma da Previdência, homens e mulheres só poderão se aposentar quando tiverem de 65 anos de idade. Hoje, há casos em que é possível a mulher se aposentar aos 55 e homens aos 60. Igualando a idade, a mulher trabalhadora será ainda mais prejudicada. 

Mais tempo de contribuição - Para um trabalhador ou trabalhadora se aposentar terá de comprovar pelo menos 25 anos de contribuição. Hoje, a exigência é de 15 anos. 49 anos para benefício integral - O que é pior é que só terá direito ao benefício integral quem, com 65 anos, comprovar que também contribuiu 49 anos à Previdência, de forma ininterrupta.

Fim de aposentadorias especiais – Trabalhadores e trabalhadoras rurais, trabalho insalubre e em condições especiais, pessoas com deficiências e aposentadorias por incapacidade serão ferozmente atacadas. Ataque às pensões - Na proposta do Governo, fica vetado o acúmulo de benefícios. Não será mais possível acumular aposentadoria e pensão por morte, por exemplo. Haverá redução de 50% no valor das pensões por morte e, a partir daí será acrescentado mais 10% por dependente, com o limite de cinco filhos beneficiados.

 Afeta quem está na ativa - Eles querem que essas novas regras já valham para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 anos. Os que tiverem acima desta idade entram numa regra de transição e poderão se aposentar pelas regras atuais, mas terá de contribuir com 50% a mais sobre o tempo que faltava para a aposentadoria. O projeto de lei da terceirização, o PL 4302, aprovado na Câmara Federal, impõe total superexploração à classe trabalhadora brasileira com a legalização da terceirização nas atividades fim.

 É o “liberou Geral” da precarização! Não haverá geração de emprego. O que vai ocorrer, de fato, é uma onda de demissões de trabalhadores contratados pela CLT para posterior contratação terceirizada. Na prática, significa trabalho com salários mais baixos, maior jornada, menos direitos trabalhistas e péssimas condições de trabalho e resultará também em maior número de acidentes, doenças (estresse, depressão, lesões por esforço repetitivo entre outros) e mais mortes por acidente de trabalho.


domingo, 2 de abril de 2017


Resultado de imagem para carta de amor



Há celulares à farta,

i-phone, computador…

Mas nada se iguala à carta

para os recados de amor!

 (A. A. de Assis)


Acabei de ler o romance de Jojo Moyes, A última carta de amor. Demorei a me envolver com a trama que transita entre planos temporais diversos (década de 60 e anos 2000) e se encontram ao final. Ainda assim reconheço que a autora é capaz de levar adiante um enredo, promover com sabedoria a técnica de corte e brincar temporalmente com os episódios. O melhor, ainda que sem uma linguagem singular, é usar o tempo como motor da sabedoria, sem moralismos inúteis. Como costumo dizer: melhor ler que não ler.

terça-feira, 7 de março de 2017

sábado, 28 de janeiro de 2017

Bananas podres, mar e memória

Resultado de imagem

Fui comprar lanches para os meninos levarem para a escola e acabei encontrando este livro perdido nas Lojas Americanas, por 9,99. Linda capa, tamanho e ótimo papel. Comprei. Estava lacrado, mas confiei no autor. O cheiro das bananas leva o eu lírico para o passado, para a venda da família e para o mar. Assim como as madeleines de Proust, o retorno improvável nos faz sentir um universo lírico peculiar e repleto de imagens boas. A poesia é isso: luz sobre a recordação e o passado, mas também perfume de tempos idos. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Por parte de pai

Inspirada pelo título, pela capa e pelo nome Bartolomeu Campos de Queirós, li Por parte de pai (1995), uma narrativa tecida com as linhas finas da existência, mostrando meandros que só um grande escritor pode realizar. Para alguns leitores o importante é a trama, para outros, a verdade; para mim, tem de haver uma linguagem suave e cheia de encantamentos para dar conta do que vai sendo contado, seja o que for. Diante da delicadeza da linguagem queirosiana: "Meu coração bateu forte de saudade antecipada. Li medo no olhar de meu avô enquanto minha avó, na cama, mornava a vida sem acusar perdas ou manifestar ganhos" (p.67), meu coração também bateu forte e a vida contada parece que acrescentou sentido às coisas sozinhas que guardo sem poder trazer à tona.


Resultado de imagem para por parte de pai bartolomeu campos queirós

O filho de Machado de Assis

Resultado de imagem para menino negro

Machado de Assis, então, teve um filho antes de seu casamento com Carolina?
Lendo O filho de Machado de Assis, de Luiz Vilela, posso não ter encontrado a resposta exata, mas encontrei o novelista, que eu admiro, tratando de embates significativos contra a soberba da academia, a mitificação dos escritores e personagens históricos, a loucura humana e a mesma solidão machadiana do Memorial. Memorável.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Uma coisa leva a outra...

A montanha por achar

A montanha por achar
Há-de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.

Fernando Pessoa
21-9-1934

Depois daquela montanha



Resultado de imagem para depois daquela montanha



Instigada por uma resenha no google+, comprei o romance de Charles Martin: Depois daquela montanha, publicado pela Arqueiro em 2016. Parece que vai virar filme esse ano. É um romance de ação com foco narrativo em primeira pessoa, autodiegético, mas com muito diálogo. O charme do narrador é a visão parcial que ele possui da trama, tanto por estar dentro da história, quanto por ser um eu que sofre uma perda. Fico feliz por preservar em mim uma leitora capaz de se divertir com todo tipo de obra, mantendo aquecida a menina devoradora de livros que fui. Depois daquela montanha não é o livro da minha vida, mas uma boa diversão para as férias e sempre é melhor ler que não ler.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Uma leitura a mais...


Resultado de imagem para O homem de são petersburgo

Acabei de ler mais um romance histórico de Ken Follett: O Homem de São Petersburgo. Não é um daqueles romances enoormes que contam a saga de cinco diferentes famílias, mas uma narrativa boa, com uma trama interessante. Não é uma aventura de linguagem (não há nada de excepcional na maneira como a história é contada), mas uma linguagem de aventura bem realizada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017




Terminei de ler um romance da Ana Maria Machado sobre duas personagens históricas apaixonantes: Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite. Sobre o assunto, já tinha lido o romance de Cláudia Lage intitulado Mundos de Eufrásia, anterior. Agora Um mapa todo seu vem reavivar a lembrança da leitura. Então, vejamos: ambos são bons romances. O de Lage é mais extenso e dá mais expressão à personagem feminina e sua interioridade, o de Machado abre espaço para que Nabuco não seja apenas um detalhe, tornando-o mais expansivo que sua amada. Ainda gostaria, no entanto, de ver mapeado, em romance, o mesmo tema por outras mãos da literatura brasileira. Sei, no entanto, que outras leituras me esperam!

Imagem relacionada










tempopassa
“O tempo passa com uma rapidez absurda e deixa todos os tipos de marcas em nós. Uma linha de expressão ao redor dos olhos pode parecer ‘o fim’ em um primeiro momento, mas sei que nela estão contidas histórias que um livro todo não poderia contar. O tempo muda nosso corpo, nosso rosto, nosso jeito de ver a vida. E no final das contas de que importa um quilinho a mais ou uma ruguinha nova se minha alma está mais em forma do que nunca!”

                                                                                                             Fernanda Gaona

sábado, 7 de janeiro de 2017



2017
Resultado de imagem para ano novo





Virei o ano com duas leituras: Baudolino, de Umberto Eco, e Pétala Escarlate, Flor Branca, de Michel Faber. O primeiro brinca com a ideia de palimpsesto e da origem das línguas nacionais, o segundo, completamente diferente, é um romance histórico que retrata o período vitoriano e tem o charme de um narrador em segunda pessoa, coisa rara e bem realizada em uma longa parcela da trama, depois substituído por um narrador heterodiegético onisciente. Recomendo os dois. 

Quase finda a travessia,
vendo o marco da chegada
sinto que, sem ousadia
a vida não vale nada.
                                                                                                                  Antonio Claret Marques

"Ninguém é igual a ninguém, todo ser humano é um
 estranho ímpar"

                                                                                            Carlos Drummond de Andrade.