sábado, 28 de janeiro de 2017

Bananas podres, mar e memória

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Fui comprar lanches para os meninos levarem para a escola e acabei encontrando este livro perdido nas Lojas Americanas, por 9,99. Linda capa, tamanho e ótimo papel. Comprei. Estava lacrado, mas confiei no autor. O cheiro das bananas leva o eu lírico para o passado, para a venda da família e para o mar. Assim como as madeleines de Proust, o retorno improvável nos faz sentir um universo lírico peculiar e repleto de imagens boas. A poesia é isso: luz sobre a recordação e o passado, mas também perfume de tempos idos. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Por parte de pai

Inspirada pelo título, pela capa e pelo nome Bartolomeu Campos de Queirós, li Por parte de pai (1995), uma narrativa tecida com as linhas finas da existência, mostrando meandros que só um grande escritor pode realizar. Para alguns leitores o importante é a trama, para outros, a verdade; para mim, tem de haver uma linguagem suave e cheia de encantamentos para dar conta do que vai sendo contado, seja o que for. Diante da delicadeza da linguagem queirosiana: "Meu coração bateu forte de saudade antecipada. Li medo no olhar de meu avô enquanto minha avó, na cama, mornava a vida sem acusar perdas ou manifestar ganhos" (p.67), meu coração também bateu forte e a vida contada parece que acrescentou sentido às coisas sozinhas que guardo sem poder trazer à tona.


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O filho de Machado de Assis

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Machado de Assis, então, teve um filho antes de seu casamento com Carolina?
Lendo O filho de Machado de Assis, de Luiz Vilela, posso não ter encontrado a resposta exata, mas encontrei o novelista, que eu admiro, tratando de embates significativos contra a soberba da academia, a mitificação dos escritores e personagens históricos, a loucura humana e a mesma solidão machadiana do Memorial. Memorável.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Uma coisa leva a outra...

A montanha por achar

A montanha por achar
Há-de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.

Fernando Pessoa
21-9-1934

Depois daquela montanha



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Instigada por uma resenha no google+, comprei o romance de Charles Martin: Depois daquela montanha, publicado pela Arqueiro em 2016. Parece que vai virar filme esse ano. É um romance de ação com foco narrativo em primeira pessoa, autodiegético, mas com muito diálogo. O charme do narrador é a visão parcial que ele possui da trama, tanto por estar dentro da história, quanto por ser um eu que sofre uma perda. Fico feliz por preservar em mim uma leitora capaz de se divertir com todo tipo de obra, mantendo aquecida a menina devoradora de livros que fui. Depois daquela montanha não é o livro da minha vida, mas uma boa diversão para as férias e sempre é melhor ler que não ler.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Uma leitura a mais...


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Acabei de ler mais um romance histórico de Ken Follett: O Homem de São Petersburgo. Não é um daqueles romances enoormes que contam a saga de cinco diferentes famílias, mas uma narrativa boa, com uma trama interessante. Não é uma aventura de linguagem (não há nada de excepcional na maneira como a história é contada), mas uma linguagem de aventura bem realizada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017




Terminei de ler um romance da Ana Maria Machado sobre duas personagens históricas apaixonantes: Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite. Sobre o assunto, já tinha lido o romance de Cláudia Lage intitulado Mundos de Eufrásia, anterior. Agora Um mapa todo seu vem reavivar a lembrança da leitura. Então, vejamos: ambos são bons romances. O de Lage é mais extenso e dá mais expressão à personagem feminina e sua interioridade, o de Machado abre espaço para que Nabuco não seja apenas um detalhe, tornando-o mais expansivo que sua amada. Ainda gostaria, no entanto, de ver mapeado, em romance, o mesmo tema por outras mãos da literatura brasileira. Sei, no entanto, que outras leituras me esperam!

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tempopassa
“O tempo passa com uma rapidez absurda e deixa todos os tipos de marcas em nós. Uma linha de expressão ao redor dos olhos pode parecer ‘o fim’ em um primeiro momento, mas sei que nela estão contidas histórias que um livro todo não poderia contar. O tempo muda nosso corpo, nosso rosto, nosso jeito de ver a vida. E no final das contas de que importa um quilinho a mais ou uma ruguinha nova se minha alma está mais em forma do que nunca!”

                                                                                                             Fernanda Gaona

sábado, 7 de janeiro de 2017



2017
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Virei o ano com duas leituras: Baudolino, de Umberto Eco, e Pétala Escarlate, Flor Branca, de Michel Faber. O primeiro brinca com a ideia de palimpsesto e da origem das línguas nacionais, o segundo, completamente diferente, é um romance histórico que retrata o período vitoriano e tem o charme de um narrador em segunda pessoa, coisa rara e bem realizada em uma longa parcela da trama, depois substituído por um narrador heterodiegético onisciente. Recomendo os dois. 

Quase finda a travessia,
vendo o marco da chegada
sinto que, sem ousadia
a vida não vale nada.
                                                                                                                  Antonio Claret Marques

"Ninguém é igual a ninguém, todo ser humano é um
 estranho ímpar"

                                                                                            Carlos Drummond de Andrade.